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Emendas de Flávio Bolsonaro ao Ifop são investigadas pela Polícia Federal

Instituto recebeu R$ 2 milhões em emendas e é suspeito de ligação com Robson Calixto, condenado no caso Marielle Franco.

Flávio Bolsonaro enviou R$ 200 mil em emendas a ONG ligada a miliciano condenado pelo assassinato de Marielle

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) destinou R$ 200 mil em emendas parlamentares ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), entidade suspeita de ligação com Robson Calixto, conhecido como Peixe. Calixto foi condenado no caso do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

A Polícia Federal investiga se os repasses ao instituto fizeram parte de um esquema de desvio de dinheiro público ligado ao entorno da família Brazão. Segundo a corporação, Calixto teria intermediado os recursos obtidos no gabinete de Flávio Bolsonaro. Na época, ele era assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro e apontado como homem de confiança do ex-conselheiro.

Valores e destinação

Além da emenda de Flávio, o Ifop recebeu R$ 300 mil da deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) e R$ 1,5 milhão de Chiquinho Brazão, condenado pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Somados, os repasses chegaram a R$ 2 milhões.

As verbas de Flávio e Chris Tonietto, destinadas em 2023, tinham como objetivo comprar chuteiras para projetos esportivos infantis. A emenda de Flávio foi enviada em 29 de novembro de 2023 para o projeto Jogadores do Futuro. Pais de alunos disseram que os filhos não receberam os materiais previstos no termo de fomento. No projeto Vencedores do Futuro, beneficiado por Chris Tonietto, também não houve confirmação da entrega das chuteiras.

A emenda de Chiquinho Brazão foi direcionada a um projeto de capacitação de mulheres, com aulas de informática na Baixada Fluminense, na Região Metropolitana do Rio. Os recursos foram liberados em 2025, depois da prisão do ex-deputado.

A execução das verbas destinadas ao Ifop foi alvo de uma operação da Polícia Federal em julho, realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União. A investigação apura suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Mensagens e auditoria

Mensagens retiradas do celular de Calixto registraram tratativas com Maria de Fátima Bezerra, assessora de Flávio Bolsonaro conhecida como Fafá. Em outubro de 2023, ele pediu que ela verificasse com o senador a possibilidade de ajuda. Depois, a assessora o convidou para um evento com Flávio no Rio de Janeiro e recomendou que levasse Chiquinho Brazão. Dias mais tarde, Calixto voltou a cobrar apoio para o Ifop. A emenda foi enviada no mês seguinte.

Relatório do Tribunal de Contas da União apontou suspeitas de irregularidades na compra de materiais com a emenda de Flávio. A auditoria afirmou que o instituto não buscou condições vantajosas nem demonstrou preocupação com economia ou eficiência na aplicação dos recursos públicos.

A assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda “foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte”. Segundo a nota, a execução cabe à entidade beneficiária, e eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.

O Ifop disse desconhecer a atuação de Calixto na destinação da emenda e negou relações com Peixe ou com a família Brazão. A organização afirmou que contratou assessoria especializada em gestão de projetos e que esteve em gabinetes de parlamentares do Senado e da Câmara no fim de 2022. Também declarou nunca ter tido contato direto com Flávio Bolsonaro.

Calixto foi preso em maio de 2024. Em delação premiada, Ronnie Lessa afirmou que Peixe comprou a submetralhadora HK MP5 usada no assassinato de Marielle e Anderson Gomes. Denunciado pela Procuradoria-Geral da República por organização criminosa, Calixto foi condenado a nove anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal em fevereiro deste ano. Chiquinho e Domingos Brazão receberam penas de 76 anos e três meses de prisão por organização criminosa armada, dois homicídios qualificados e um homicídio qualificado tentado.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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