Bovinos não têm quatro estômagos separados. Eles possuem um único estômago dividido em quatro compartimentos: rúmen, retículo, omaso e abomaso. A estrutura permite a ruminação e o aproveitamento de alimentos de origem vegetal.
Segundo João Paulo Rodrigues, pesquisador de nutrição animal na Embrapa Gado de Leite, cada compartimento exerce uma função específica no sistema digestivo.
Como funciona a digestão
O rúmen é o maior compartimento e concentra a fermentação bacteriana. Nele, microrganismos decompõem a celulose das plantas e a transformam em substâncias mais simples, como os ácidos graxos voláteis. Esses compostos são absorvidos pelo animal e fornecem energia.
Depois, o alimento segue para o retículo. É nessa parte que se forma o bolo alimentar regurgitado, dando início à ruminação. O processo de mastigação reduz o alimento vegetal a partículas menores e facilita a ação dos microrganismos do rúmen sobre os carboidratos estruturais das plantas.
O omaso absorve água e alguns nutrientes, entre eles sais minerais. Sua estrutura interna tem dobras longitudinais largas, que lembram páginas de um livro.
O abomaso é considerado o verdadeiro estômago dos bovinos. Nesse compartimento ocorre a digestão química, com a atuação de enzimas produzidas pelo próprio animal. Assim, as quatro partes trabalham de forma integrada, mas com funções diferentes.
Além dos bovinos, também são ruminantes os ovinos, caprinos, bubalinos e girafas. Esse grupo tem o sistema digestivo adaptado para aproveitar a celulose presente em plantas fibrosas.
Relação com a adubação
As fezes dos ruminantes contêm matéria orgânica e nutrientes e podem ser usadas como fertilizante. O esterco bovino tem baixo custo para o produtor e fornece elementos importantes ao desenvolvimento das plantas, como nitrogênio, fósforo e potássio (NPK).








