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PF aponta operador ligado a Vorcaro como “pioneiro nas Bahamas”

Antonio Carlos Freixo Junior é citado em investigação sobre aportes no filme Dark Horse, enquanto empresa ligada a fundo nas Bahamas recebeu contrato eleitoral.

Operador de Vorcaro é “pioneiro das Bahamas”; Fórum revelou elo de contratada por Flávio Bolsonaro com paraíso fiscal
Foto: Divulgação/Entre Investimentos

A Polícia Federal descreve Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, como “pioneiro nas Bahamas” por estruturas offshore que ele teria montado no país. Dono da Entre Investimentos e operador financeiro de Daniel Vorcaro no filme Dark Horse, Freixo foi alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto, chamada Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24).

A referência aparece em uma representação da PF baseada em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento foi usado para pedir uma investigação específica sobre o financiamento do filme relacionado a Jair Bolsonaro.

Estrutura societária ligada a contrato eleitoral

Em 23, registros da campanha de Flávio Bolsonaro apontaram um contrato de R$ 1,5 milhão com a Hanbellseg Serviços e Locações Ltda., empresa de Sorocaba que também recebeu R$ 500 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). A contratação foi incluída na prestação parcial de contas apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As sócias da Hanbellseg, Carolina Carmezin Beldi e Beatriz Carmezim Beldi, também aparecem na Golden Atividades Imobiliárias Ltda. A empresa tem capital social de R$ 14,9 milhões, e sua maior sócia é a Feyther Investment Fund Ltd., fundo constituído nas Bahamas.

Em novembro de 2025, a Golden alterou o contrato social, elevou o capital em R$ 3.417.858, admitiu Beatriz e Mariana Carmezin Beldi e mudou a sede para a Rua Vicente Lamarca, 326. No mesmo número estão registradas a Hanbellseg e a HB3 Serviços de Terceirização.

A mudança levou a Golden da Rua Fernando Silva, 190, sala 702, para a Rua Vicente Lamarca, 326, barracão parte A. A Hanbellseg ocupa a parte B, enquanto a HB3 está registrada na parte C. Mariana é a única proprietária da HB3, aberta em setembro daquele ano.

Participação da Feyther

O capital social da Golden passou de R$ 11.556.301 para R$ 14.974.159. As novas quotas, no valor total de R$ 3.417.858, foram subscritas pela Feyther Investment Fund Ltd., que passou a deter 9.388.000 das 14.974.159 quotas, equivalentes a 62,65%.

Antonio Fabio Beldi aparece com 5.586.156 quotas. Carolina, Beatriz e Mariana ficaram com uma quota cada. A Golden é administrada por Carolina e Nelson Diniz da Costa, que também representa a Feyther no Brasil como procurador.

A Receita Federal registra a Feyther no CNPJ 19.311.044/0001-60 como empresa domiciliada no exterior. O cadastro está suspenso desde 9 de outubro de 2021 por inconsistência cadastral. O comprovante foi emitido em 23 de setembro de 2026.

Registros no exterior

O contrato da Golden identifica a Feyther como fundo constituído pelas leis das Bahamas e informa o endereço Winterbotham Place, Marlborough and Queen Streets, em Nassau. Na relação de fundos da Securities Commission of The Bahamas de 30 de setembro de 2020, a Feyther aparece sob a classificação SFM 004, administrada pela The Winterbotham Trust Company Limited.

Na lista de 31 de maio de 2026, a Feyther não aparece mais, embora a Winterbotham continue relacionada como administradora de outros fundos. Os registros não informam quando nem por que o fundo deixou de constar da relação.

A Feyther também figura como manager da Golden Florida Real Estate LLC, aberta na Flórida em 21 de maio de 2015 sob o número L15000090133. O cadastro atribui ao fundo o endereço Tortola Pier Park, Building 1, 2nd Floor, Wickhams Cay I, em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Golden Florida passou a informar uma localização em Curitiba, no Paraná, após alteração de 23 de abril de 2026.

Os documentos analisados não identificam o beneficiário final da Feyther. Carolina, Beatriz, Mariana e Antonio Fabio Beldi não aparecem como beneficiários finais, enquanto Nelson Diniz da Costa consta como procurador no Brasil e administrador da Golden.

A documentação não aponta transferência de recursos da campanha para a Golden ou para a Feyther. Ela registra a ligação societária entre as proprietárias de uma empresa contratada com recursos eleitorais e uma companhia cuja maior participação pertence a um fundo estrangeiro cujo controle final não foi identificado.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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