PERNAMBUCO — O número de candidatos a deputado estadual e federal que usam títulos religiosos no nome de urna caiu 35% em Pernambuco nos últimos quatro anos. Ao mesmo tempo, candidaturas associadas a militares cresceram 2% e passaram a formar o grupo mais numeroso entre os nomes analisados, com 47 candidatos.
Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a partir da plataforma Divulgacand. A comparação considera as eleições de 2022 e 2026. Em Pernambuco, serão eleitos 49 deputados estaduais para a Assembleia Legislativa e 25 deputados federais para a Câmara dos Deputados.
A disputa proporcional reúne centenas de candidaturas e, segundo o cientista político Bhreno Vieira, costuma ser a última escolha feita pelos eleitores. Nesse cenário, o nome de urna pode destacar profissão, vínculo religioso, identificação partidária ou relação com um município.
Religião e perfil das campanhas
A redução das candidaturas que adotam expressões como pastor, presbítero e missionário foi maior que a queda geral registrada no estado. Entre 2022 e 2026, o total de candidaturas a deputado estadual em Pernambuco recuou 15%, enquanto as candidaturas a deputado federal diminuíram 17%.
No país, o TSE registrou queda de 32% nas candidaturas a deputado estadual e de 26% nas candidaturas a deputado federal no mesmo intervalo. A redução dos nomes religiosos, portanto, ocorreu em ritmo superior ao do conjunto das candidaturas.
Para o doutor em ciência da religião Liniker Xavier, a eleição de 2022 foi marcada por uma polarização intensa, com uso explícito da identidade religiosa, especialmente a evangélica, na mobilização política. Em 2026, candidatos podem ter escolhido nomes mais profissionais ou comunitários, mesmo mantendo vínculos com igrejas e lideranças religiosas. Também pode ter ocorrido maior concentração do apoio das igrejas em candidaturas consideradas competitivas.
Bhreno Vieira avalia que a presença de nomes religiosos na urna não garante, por si só, a conversão desse vínculo em votos. Segundo ele, diferentes identidades religiosas enfrentam condições distintas de reconhecimento público, mobilização e aceitação eleitoral.
Saúde, educação e militares
As candidaturas associadas à saúde, como enfermeiro e médico, caíram 17% desde 2022. Na educação, os nomes de professor ou ligados ao setor diminuíram 12% no período.
Vieira relaciona a queda entre médicos, enfermeiros, técnicos e agentes de saúde ao menor destaque da pandemia de Covid-19, que teve seu ápice entre 2020 e 2022. Na avaliação dele, candidatos que se beneficiaram da exposição do tema da saúde enfrentam agora um esgotamento desse apelo.
Na direção oposta, os nomes associados a coronel, tenente, capitão e general tiveram crescimento de 2%. Com 47 ocorrências, o grupo militar passou a liderar a presença entre as denominações usadas por candidatos a deputado em Pernambuco.
Para Vieira, o debate sobre segurança pública e a expansão das candidaturas militares depois da eleição de Jair Bolsonaro em 2018 ajudam a manter a força dessa identificação. O cientista político afirma que candidatos ligados às polícias e às Forças Armadas são percebidos por eleitores conservadores como mais preparados para combater a corrupção.
Histórico dos mais votados
Desde 1982, quando os pernambucanos voltaram a escolher diretamente o governador, foram realizadas 11 eleições com disputa para deputado estadual e deputado federal.
Na Assembleia Legislativa, candidatos do campo evangélico passaram a liderar a votação a partir de 2006. Pastor Cleiton Collins foi o deputado estadual mais votado em 2006, 2010 e 2014. Em 2018, a liderança ficou com Delegada Gleide Ângelo; em 2022, com Pastor Júnior Tércio.
Na disputa para a Câmara dos Deputados, os partidos de direita e esquerda se alternaram entre os mais votados. Os líderes foram Miguel Arraes em 1982 e 1990, Joaquim Francisco em 1986, Roberto Magalhães em 1994, Eduardo Campos em 1998, Carlos Eduardo Cadoca em 2002, Armando Monteiro Neto em 2006, Ana Arraes em 2010, Eduardo da Fonte em 2014, João Campos em 2018 e André Ferreira em 2022.
Em 2022, apenas 3,9% dos votos válidos para deputado federal em Pernambuco foram direcionados diretamente às legendas, de acordo com Bhreno Vieira. Mais de 96% foram destinados a candidatos específicos, indicando a predominância do voto personalizado.
O professor também destaca o peso das bases municipais e regionais. Prefeitos, vereadores e lideranças locais participam da apresentação dos candidatos no interior, enquanto as chamadas dobradinhas entre candidatos a deputado estadual e federal ajudam a organizar a campanha por regiões.








