LIMOEIRO — Servidores da Câmara Municipal de Limoeiro, no Agreste de Pernambuco, são investigados pela Polícia Civil por suspeita de uso indevido de verbas públicas e peculato. A operação foi deflagrada nesta quarta-feira (23), com sete mandados de busca e apreensão domiciliar. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
A investigação começou em julho de 2025, depois que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) identificou despesas superiores a R$ 1,3 milhão com diárias em hotéis para cursos e congressos ao longo de 17 meses. O relatório analisou os gastos da Câmara entre janeiro de 2023 e 30 de julho de 2024.
O tribunal apontou indícios de que servidores não estavam presentes nos eventos informados para justificar pagamentos de inscrições e hospedagem. Também foram encontradas publicações em redes sociais que mostrariam alguns dos beneficiados em Limoeiro enquanto deveriam estar em atividades realizadas em outras cidades.
A auditoria registrou que os gastos foram mais de quatro vezes superiores às despesas da Câmara do Recife com eventos semelhantes. O documento também informou que a capital pernambucana tem uma receita 42 vezes maior que a de Limoeiro.
“Há claros indícios de que tais eventos serviram apenas para justificar legalmente os pagamentos de diárias”, afirmou a auditoria do TCE.
Mandados e organizações investigadas
A Operação Certificado Vazio também cumpre ordens judiciais para bloqueio de ativos financeiros, expedidas pelo Juízo da Vara Criminal da Comarca de Limoeiro. As medidas foram executadas em João Pessoa, Limoeiro e Jaboatão dos Guararapes.
Os eventos financiados ocorreram em cidades de Pernambuco e em outros estados, incluindo João Pessoa e Campina Grande, na Paraíba, Brasília, Japaratinga, em Alagoas, e Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte.
O TCE identificou ainda quatro organizações que receberam valores elevados para inscrições em eventos sem transparência sobre a realização de processos licitatórios. A apuração teve apoio da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco (Dintel) e da Polícia Civil do Estado da Paraíba.
Durante o período analisado, a Câmara era presidida pelo vereador Daniel Paulo de Moura, conhecido como Daniel do Mercadinho. Não houve manifestação dele nem da Câmara sobre a identificação ou o afastamento dos servidores investigados.








