A vontade de ser doador de órgãos pode ser registrada de duas formas digitais no Brasil: pela Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) e pela nova Carteira Nacional de Identidade (CNI). Mesmo com a manifestação formal, a autorização da família continua sendo necessária após a confirmação da morte encefálica.
Como registrar a intenção
Disponível desde abril de 2024, a AEDO é um documento oficial reconhecido em cartório. O processo é feito pelo site www.aedo.org.br: a pessoa preenche o formulário e envia os dados. Em seguida, um cartório entra em contato por chamada de vídeo para confirmar as informações. A declaração não tem custo.
Depois do registro, a Central Nacional de Doadores de Órgãos consegue verificar, por meio do CPF, que a pessoa manifestou a intenção de doar. A informação serve para que a família seja avisada antes da decisão.
Também é possível indicar o desejo de doar órgãos ao emitir a nova CNI. A sinalização aparece no verso da versão digital do documento. Quem já fez essa indicação na identidade antiga continua com o documento válido até 2032. Para quem não tem o registro e deseja incluí-lo, é possível emitir uma nova carteira.
Informação para a família
Quando a equipe médica confirma a morte encefálica, a Central de Transplante do Estado é acionada. Uma equipe especializada conversa com os familiares, que autorizam ou não a doação. 45% das famílias ainda recusam o procedimento.
Aline Alves, coordenadora da equipe hospitalar de doação para transplante do Hospital Instituto Dr. José Frota (IJF), afirmou que o desconhecimento sobre a vontade do paciente é um dos motivos para a negativa. Por isso, profissionais que atuam na área recomendam que a pessoa comunique sua decisão aos familiares.
Lúcio Kildare Lima, enfermeiro da Central de Transplantes, também destacou que a decisão precisa ser compartilhada com a família. A autorização familiar é necessária mesmo quando o interesse em doar foi registrado em documento ou por meio eletrônico.
Campanha e fila por transplantes
A Fundação Edson Queiroz iniciou, neste mês de setembro, a campanha Doe de Coração 2026. A iniciativa é realizada há 24 anos no Ceará e, neste ano, é liderada pelo médico e professor Lourrany Borges Costa, coordenador adjunto do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor).
A campanha promove ações e serviços em shoppings e na universidade, além de levar profissionais de saúde para esclarecer dúvidas sobre o processo e os mitos relacionados à doação. Lourrany afirmou que a conversa sobre o tema deve começar dentro das famílias. Cada possível doador pode beneficiar até oito pessoas.
Conforme o Ministério da Saúde, quase 50 mil brasileiros aguardam um transplante de órgão. As maiores demandas são por rim, fígado e coração.
A possibilidade de recomeço aparece na história de Sophia Lima, que nasceu em Parambu, no interior do Ceará, com cardiopatia congênita. A menina passou 9 meses na UTI em uma das internações hospitalares e recebeu uma doação que permitiu uma nova etapa de vida.
O representante comercial Alysson Wagner Santos é um dos que registraram a intenção na CNI. Ele contou que aproveitou a troca da identidade antiga para indicar que deseja ser doador. A orientação dos profissionais é que essa decisão também seja informada diretamente aos familiares.







