A produção de café arábica deve chegar a 48,2 milhões de sacas em 2026, alta de 34,8% sobre o volume de 2025, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A espécie responde por cerca de 70% da produção total e concentra o avanço previsto para a safra brasileira.
Em Minas Gerais, a colheita de arábica é estimada em 34,96 milhões de sacas. A Conab relaciona o desempenho esperado ao ciclo de bienalidade positiva, à distribuição das chuvas antes da floração e às condições climáticas favoráveis até março.
Área e rendimento
A área de café em produção deve alcançar 1,95 milhão de hectares, crescimento de 5,1% neste ano. A produtividade média nacional deve avançar 13,8%, de 30,4 sacas por hectares em 2025 para 34,6 sacas por hectare neste ano.
A estatal projetou uma produção total de 67,6 milhões de sacas de café beneficiado em 2026, aumento de 19,6% na comparação com o ciclo de 2025. O volume é o maior da série histórica da Conab. Os trabalhos de campo chegaram a 99% da área plantada com a cultura.
“O resultado está relacionado, além do ciclo de alta bienalidade, à entrada de novas áreas em produção, ao crescente uso de tecnologias, de insumos e à combinação das condições climáticas mais favoráveis”, disse a Conab em boletim.
Conilon recua
Para o conilon, a previsão é de 19,4 milhões de sacas em 2026, queda de 6,6% ante o ano passado. Embora a área plantada tenha crescido 4%, para 386,6 mil hectares, a produtividade nacional deve diminuir, principalmente pelo desempenho no Espírito Santo.
O estado, principal produtor brasileiro da espécie, deve ter redução de 5,4% na produção total de café. A colheita de conilon é estimada em 12,1 milhões de sacas, 14,3% abaixo da safra anterior. A Conab atribui o resultado à florada irregular provocada pelas baixas temperaturas na região produtora.
No arábica, porém, a produção capixaba deve subir 33%, para 4,38 milhões de sacas. A projeção considera as condições climáticas, a expansão de 4,9% na área e o ciclo de alta bienalidade.
Exportações e mercado global
As exportações brasileiras de café em agosto de 2026 somaram 3,8 milhões de sacas de 60 quilos, maior volume para o mês na série histórica. O resultado ficou 25,8% acima do mês anterior e 43,2% acima de agosto de 2025, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Para o ciclo 2026/27, a produção mundial é estimada em 189,7 milhões de sacas de 60 quilos, alta de 6,1% sobre a temporada anterior, com base em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O consumo mundial deve atingir 179,7 milhões de sacas, crescimento de 3,6%.
A Conab informou que as cotações internacionais estão sob pressão de baixa com a entrada da safra brasileira, a proximidade da colheita no Vietnã e o aumento sazonal da produção colombiana no último trimestre do ano. A estatal também destacou o baixo nível dos estoques atuais e o crescimento da demanda mundial.








